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domingo, 8 de agosto de 2010

* Sede *

tela : Frida Kahlo

um rio seco
atravessa a garganta
o não dito
o mal dito
escoam
no suor da testa vincada
na espinha que abre a face
no pisca-pisca dos olhos
mar.ejados
arejados de mar
de uma água
salgada e fria

de uma dor
que não se sabia

Úrsula Avner

sábado, 28 de novembro de 2009

* Náufrago *


Por que faz-me perscrutar
segredos que dormem em conchas ?
Acaso não lhe bastam meus devaneios ?
Sob a linha d´água
mistérios cintilam
montados em cavalos- marinhos
na ante sala
do lugar abissal
onde se enterram rascunhos
pérolas empoeiradas
em quarto de despejo
aguardam um sopro de luz

Úrsula Avner
* imagem do google

sábado, 24 de outubro de 2009

Hoje não quero o gerúndio *

No lugar do silêncio

em mim

som estrepitoso

escapa aos tímpanos

expõe instintos


Não chamei de meu

o que era sonho

porque sonho

não tem pertencimento

é ave noctívaga

sem ninho seguro

pouso instável

incerto futuro


Teço em versos

aquilo que já não é

ou ainda será

Que emoção há

em versejar o presente ?

É como observar

gotículas que evaporam

em água fervente


Teço em versos

o que borbulhou

na mente

o que ficou

silenciado

no inconsciente

o que será lembrado

em gesto silente


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem do Google- sem informação de autoria

terça-feira, 9 de junho de 2009

Semana dos namorados- Poema III

Entregue a ti
bebi da fonte da paixão
Água cristalina em mim
doce e terna canção
Deixei-me embriagar
Sorvi até a última gota
Em ti aportei como uma filha do mar
Alucinei, voei semi nua e solta
No meu corpo, tatuagem
Na lembrança, miragem

Úrsula Avner

* poema como registro de autoria
* imagem retirada do Google