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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

* Do que fomos *

soube do amor
provado em gomos
laranja lima
em tempo amargo

do que fomos
paladar raro

Úrsula Avner

desenho : casal sombra
Luiza Maciel Nogueira
http://versosdeluz.blogspot.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

* Pontuação subjetiva *

arte : Irene Sheri

não me defino
pois quando
não estou entre parênteses
estou entre aspas
exclamação perene
interrogação absoluta
atolada em reticências...
adjetivada entre vírgulas
levito nas entrelinhas
até me reduzir ao ponto final
ou não...

Úrsula Avner


sábado, 21 de agosto de 2010

* Mulher pássaro *

hoje eu não quero a sensatez
as rugas da lucidez
o equilíbrio na ponta dos pés

quero os pés descalços
pisando a terra molhada
a relva orvalhada

busco o cristal escondido na areia
o desembaraço das minhas teias

quero o hálito da simplicidade
em palavras sussurradas
pensamentos arejados
distantes de toda a vaidade

quero o descompromisso
o desapego
nenhuma ansiedade

sou mulher pássaro
sou sonho
sou grito de liberdade


Úrsula Avner

* Fonte da imagem Google- sem informação de autoria

domingo, 8 de agosto de 2010

* Sede *

tela : Frida Kahlo

um rio seco
atravessa a garganta
o não dito
o mal dito
escoam
no suor da testa vincada
na espinha que abre a face
no pisca-pisca dos olhos
mar.ejados
arejados de mar
de uma água
salgada e fria

de uma dor
que não se sabia

Úrsula Avner

sábado, 31 de julho de 2010

* Lançamento do livro Maria Clara: uniVersos femininos

Olá caros amigos, amigas e visitantes. Estou de volta e com boas novas. Tenho o prazer de lhes
comunicar o pré- lançamento do livro Maria Clara: uniVersos femininos em Caicó- RN e o lançamento oficial na Bienal Internacional do Livro em São Paulo- S.P entre os dias 12 e 22 de Agosto do ano corrente. O livro reune poesias de doze autoras da Web , entre as quais estou incluida. Foi um grande prazer fazer parte de uma obra tão especial organizada pela mestra Hercília Fernandes que tive o prazer de conhecer e admirar. Clique aqui e saiba mais...

Logo o livro estará disponível para vendas... Obrigada a todos pelo carinho !

Úrsula Avner

sexta-feira, 2 de julho de 2010

* Parto *

o que em solo lunar derramou-se
cravejou em meus olhos deslumbramento
como pode a lua iluminar a própria face ?
Como pode bastar a si mesma ?
Presunçosa lua
acocora-se ao cume dos montes ilesa

um resto de luz desmembrada
deixa a vida respingada
de um laranja indiscreto
agoniza o dia
a noite sai do ventre
rompe-se o que é secreto

Úrsula Avner

* imagem do google -sem informação de autoria,

sexta-feira, 11 de junho de 2010

* Poetrix *




como esponja

a poesia me absorve

fórceps ás avessas


Úrsula Avner



* imagem do google sem informação de autoria

sábado, 29 de maio de 2010

* O verbo e o verso *




Ás vezes ao ler um poema penso

por que determinado verbo

encaixou-se naquele verso ?

E nos meus devaneios invento

outras palavras que acolham

o poema ao inverso


substituo mentalmente

uma palavra aqui

uma expressão ali

imagino como seria o poema

seu eu o tivesse escrito

chocalho a gramática

reflito sobre as ideias

sobre o que foi transcrito


penso no que moveu

coração e mãos de

quem o escreveu

trago o poema

para junto do peito

abrigo cada palavra

que o teceu


tento decifrar

sua mensagem

destino para o qual

foi eleito

percebo enfim

sou eu quem o define
quem o faz aceito


guardo o poema

não o coloco em um recipiente

poemas não cabem em lugar algum

busco o poema na nascente

de todos os lugares ou de lugar nenhum


Úrsula Avner

terça-feira, 18 de maio de 2010

* Apnéia 2*

arte : Dog woman
by : Paula Rego

Veja
que já não respiro
artérias latejam
pulmões arpejam

Veja
que me sufoca
o grito contido
o lamento banido

Veja
que me embrulha
o estômago pesado
o querer engasgado

Veja
que meu riso
é como o grafite do céu
me remove o friso
quero estar ao léu

A lua
no firmamento ascendeu
e como quem desdenha
não me olhou nos olhos
ficou prenha
fingiu que adoeceu
mingou até arrefecer
solitária... feneceu


Úrsula Avner

quinta-feira, 1 de abril de 2010

* Desejado destino *




arte : Freedom of my soul ( liberdade da minha alma )

by: Mel Gama



a montanha

de longe espia

destinou-me a vida

a ser pássaro

asas invisíveis

voo em céu

de celulose e grafite


a montanha

de longe espia

devaneios de um poeta

palavras se aglutinam

tal moléculas de sangue coagulado

revoada em céu cereja



Úrsula Avner

quinta-feira, 25 de março de 2010

* Passagem *




nasci
em dia chuvoso
o pó que me formou
era mórbido fosco
o ventre da terra
tratou de me expulsar
raiz caule folhas

vivi
causticada ao sol
bolinada pelo vento
sobrevivendo

morri
solitária
em terra cansada
vítima do tempo

Úrsula Avner

* imagem do google
Um abraço afetuoso a todos que me visitam !

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

* do que restou *

quebrou em mim
onda do mar
gigante azul
de sentimentos
espuma na areia
aportou
embrenhou cá dentro
desmanchou
feito casca de ovo pisada
não tem rejunte
só restou quebranto


Úrsula Avner

domingo, 21 de fevereiro de 2010

* Lapidação*

Imagem: Mel Gama- Flying to the liberty

sou pedra bruta

recolhida na gruta

em mármore frio talhada

sou pedra lapidada

diariamente moldada

até ficar bem torneada

pelas mãos do oleiro

sou esquartejada

até me tornar

figura encantada



Úrsula Avner

sábado, 13 de fevereiro de 2010

* Amplidão *




lanço as pernas ao ar

porque o chão é áspero

prende em placas de cimento

o que se quer deixar voar


levita ave azul do pensamento

leva em seu frágil corpo

a fugacidade do momento

o tártaro do sentimento


Úrsula Avner


* poema com registro de autoria

* imagem disponível no google- sem informação de autoria

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

* Sonhos na janela *

entre um suspiro e outro
emergem lembranças de uma vida
na primavera dos sonhos tecida
esculpida nas trilhas do tempo revolto

abre-se um campo em flor
no lugar de sequidão da memória
esperança de edificação de uma estória
onde o protagonista seja o amor

pensamentos voam como flechas pontudas
buscam na sudorese do tempo
lugares de alento refrigério unguento
Só a quietude precipita em faces mudas


Úrsula Avner

* imagem disponível no google

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

* Contrastes *



pedaço do barro seco em mim

é silêncio solidão

outro montante é

júbilo em notas agudas

de uma inédita canção

Em alarido pulsa o coração
até mergulhar de novo

no rio crespo da desilusão


Úrsula Avner



sábado, 12 de dezembro de 2009

* Hoje *


No caminho que tracei
algumas flores encontrei
a própria vida interpelei
meu íntimo perscrutei
sonhos almejei
em espinhos tropecei
em rios de mistério mergulhei

acontecimentos de ontem...

Hoje... começa tudo de novo


Úrsula Avner

* imagem - Tela de Pino Daeni

sábado, 28 de novembro de 2009

* Náufrago *


Por que faz-me perscrutar
segredos que dormem em conchas ?
Acaso não lhe bastam meus devaneios ?
Sob a linha d´água
mistérios cintilam
montados em cavalos- marinhos
na ante sala
do lugar abissal
onde se enterram rascunhos
pérolas empoeiradas
em quarto de despejo
aguardam um sopro de luz

Úrsula Avner
* imagem do google

domingo, 22 de novembro de 2009

* Sinfonia*

a velha praça
oculta segredos
entre folhas e arvoredos

o velho banco
reune o passaredo
entre migalhas e concertos

velhos sonhos
compõe enredos
entre folguedos e medos


] eu observo [


Úrsula Avner

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

* Inundação*


águas penetram com virilidade

rochedos que em mim habitam

sal em tráfego pela face

corre como sonho, um disfarce


antecipo uma onda gigante

mergulho até que ela cubra a areia

outra onda imensa se forma

mergulho até enxergar uma candeia


Quanto mais ondas traspasso

tanto mais forte me torno

refaço o ritmo do compasso

a cada dia me transformo


Úrsula Avner


* imagem do google- sem informação de autoria