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domingo, 13 de junho de 2010

* O que tu observas ?

Se pensas que o choro da rosa é argumento frágil,
então cuidas de decifrar seu lamento.

Úrsula Avner

quinta-feira, 3 de junho de 2010

* Mais um cotidiano*

Amanhece. O silêncio ferido de morte agoniza. Sons do cotidiano em brado forte
irrompem das ruas. A quietude expira. Pássaros entoam seu canto matinal. Portas
batem , janelas se abrem. Deita-se o sol sorrateiramente sobre casas e asfaltos.
Ouve-se suspiros profundos e altos. O vento tremula entre as folhas das árvores.
Varre das ruas as sobras da noite ; agita a cabeleira crespa dos mares.
Passos agitados, gente correndo, máquinas em funcionamento.
Risos, prantos, lamento... A noite se desfazendo.
Amanhece. O dia exala seu cinzento odor. Uma formiga apressada carrega uma folha. Inaugura seu rotineiro e áspero labor.

Úrsula Avner
arte : Patricia Van Lubeck

domingo, 11 de abril de 2010

* Sonhada visão*

tela : Renné Magritte


quando os olhos meus
capturaram o azul do mar
andei em cauda de vento
sem choro ou lamento
queria tão somente bailar
em chão de areia me lambuzar
contar estrelas
ver o sol rastejar
passivo, lenitivo
sobre o mar

Úrsula Avner