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quinta-feira, 3 de junho de 2010

* Mais um cotidiano*

Amanhece. O silêncio ferido de morte agoniza. Sons do cotidiano em brado forte
irrompem das ruas. A quietude expira. Pássaros entoam seu canto matinal. Portas
batem , janelas se abrem. Deita-se o sol sorrateiramente sobre casas e asfaltos.
Ouve-se suspiros profundos e altos. O vento tremula entre as folhas das árvores.
Varre das ruas as sobras da noite ; agita a cabeleira crespa dos mares.
Passos agitados, gente correndo, máquinas em funcionamento.
Risos, prantos, lamento... A noite se desfazendo.
Amanhece. O dia exala seu cinzento odor. Uma formiga apressada carrega uma folha. Inaugura seu rotineiro e áspero labor.

Úrsula Avner
arte : Patricia Van Lubeck

quinta-feira, 25 de março de 2010

* Passagem *




nasci
em dia chuvoso
o pó que me formou
era mórbido fosco
o ventre da terra
tratou de me expulsar
raiz caule folhas

vivi
causticada ao sol
bolinada pelo vento
sobrevivendo

morri
solitária
em terra cansada
vítima do tempo

Úrsula Avner

* imagem do google
Um abraço afetuoso a todos que me visitam !

sexta-feira, 19 de março de 2010

* Águas fundas em mim *


quisera falar de coisas amenas
com palavras que bóiam em águas serenas
Todavia, já saltei do trampolim
o mergulho foi inevitável
palavras nadam nas águas fundas em mim
transitam pelas avenidas da mente
não descansam , não ficam dormentes
agitam-se como folhas tremulando ao vento
cobrem o fecundo chão do pensamento
Escrever não é para mim tormento
é indizível prazer
licoroso momento
Úrsula Avner
* imagem do google

terça-feira, 16 de março de 2010

* Destino das folhas *


na dança do vento
bailam folhas mortas
eólica valsa circular
espiralada
feito caracol gigante
-folhas são nômades-
vagam sem rumo certo
amontoam-se ao pé
de árvores torcidas
tecem o húmus da terra
adormecem em cinzas esfalfadas
onde jaz o calor da espera
Úrsula Avner