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quinta-feira, 3 de junho de 2010

* Mais um cotidiano*

Amanhece. O silêncio ferido de morte agoniza. Sons do cotidiano em brado forte
irrompem das ruas. A quietude expira. Pássaros entoam seu canto matinal. Portas
batem , janelas se abrem. Deita-se o sol sorrateiramente sobre casas e asfaltos.
Ouve-se suspiros profundos e altos. O vento tremula entre as folhas das árvores.
Varre das ruas as sobras da noite ; agita a cabeleira crespa dos mares.
Passos agitados, gente correndo, máquinas em funcionamento.
Risos, prantos, lamento... A noite se desfazendo.
Amanhece. O dia exala seu cinzento odor. Uma formiga apressada carrega uma folha. Inaugura seu rotineiro e áspero labor.

Úrsula Avner
arte : Patricia Van Lubeck

domingo, 18 de abril de 2010

* (in) verdades*



verdades
não as tenho
não as procuro
não as invento
verdades
não são únicas
são muitas
espalham-se ao vento
as verdades que professo
cabem nos versos da poesia
que também não é verdade
senão devaneio fantasia


Úrsula Avner

* imagem disponível no google imagens

domingo, 11 de abril de 2010

* Sonhada visão*

tela : Renné Magritte


quando os olhos meus
capturaram o azul do mar
andei em cauda de vento
sem choro ou lamento
queria tão somente bailar
em chão de areia me lambuzar
contar estrelas
ver o sol rastejar
passivo, lenitivo
sobre o mar

Úrsula Avner

sexta-feira, 19 de março de 2010

* Águas fundas em mim *


quisera falar de coisas amenas
com palavras que bóiam em águas serenas
Todavia, já saltei do trampolim
o mergulho foi inevitável
palavras nadam nas águas fundas em mim
transitam pelas avenidas da mente
não descansam , não ficam dormentes
agitam-se como folhas tremulando ao vento
cobrem o fecundo chão do pensamento
Escrever não é para mim tormento
é indizível prazer
licoroso momento
Úrsula Avner
* imagem do google

terça-feira, 16 de março de 2010

* Destino das folhas *


na dança do vento
bailam folhas mortas
eólica valsa circular
espiralada
feito caracol gigante
-folhas são nômades-
vagam sem rumo certo
amontoam-se ao pé
de árvores torcidas
tecem o húmus da terra
adormecem em cinzas esfalfadas
onde jaz o calor da espera
Úrsula Avner

sexta-feira, 5 de março de 2010

* Ventania *



tela : Antar Rohit

vento corre ligeiro

feito pé de menino

encardido e arteiro

feito anjo que migra

do recanto celestial

traz nas asas querencias

salpicadas de brocal

Úrsula Avner

sábado, 31 de outubro de 2009

* Vigilância *

Tela : Maggie Taylor

Cuida

que uma rajada de vento

não te saculeja

abalando tua rasa base

arrancando-te pela raiz

cuida

que o implacável tempo

não te entristeça

e no ofício de vincar tua face

não te esmoreça

dos pés ao nariz

Úrsula Avner

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

* Do que aprendi... *


passei de brisa ao vento

arisco sentimento

qual onda de mar

esparramada na areia

debrucei-me

sobre as próprias vontades

acalentei vaidades

tentei calcificar verdades

depois do maremoto

quietude


Úrsula Avner

* imagem retirada do Google- autoria não informada

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

* Desprendimento *




Caminho pelas bordas


desprezo o miolo


não quero a estabilidade da corola


anelo a liberdade das pétalas


que uma a uma


deixam-se beijar pelo vento


exalam delicado aroma


que abriga incorruptível sentimento


podem se desprender


quando bem entendem


Se devolvidas ao solo


da vida desentendem



Úrsula Avner



* imagem retirada do Google sem informação de autoria




terça-feira, 28 de julho de 2009

* Haikais*

gaivotas voam
rumo ao horizonte
sorriso no céu

******* // *******

vento geme só
em tarde azulada
agita sonhos

******* //*******

teia de cristal
pespontada na noite
gotas de prata

*******//*******

prateada luz
mergulhou no mar azul
estrela morta

autoria : Úrsula Avner

quinta-feira, 18 de junho de 2009

* Verborragia *



Não posso calar meu desejo
espero por ti no tempo de um ensejo
Amo-te com a força de um tufão
sou filha do vento tempestivo da paixão

Úrsula Avner

imagem do Google
poema com registro de autoria

sábado, 25 de abril de 2009

* Livres pensamentos e desejos *



Num gesto frenético, desavisado de mim mesma

derrubei muros, rompi fortalezas

que se ergueram em meu interior

Quebrei as paredes, o revestimento cimentado

removi a couraça, o elmo tão acomodado

aos meus pensamentos e atitudes

Não quero mais o solo como referência o tempo todo

Quero levitar, deitar em nuvens de prata

que me sirvam de toldo

dançar na melodia do vento

quebrar as correntes do tempo

que não mais podem amordaçar meus desejos



Úrsula Avner


* imagem retirada do Google

quarta-feira, 22 de abril de 2009

* Pensamentos *




Encaro a vida
como quem está a bordo
de um barco, velejando
As águas sofrem as intempéries
que o vento traz
O tempo imprime a toada
ora impetuosa
ora serenada

Úrsula Avner

* imagem retirada do Google- desconheço a autoria