súbito estrala o som dos teus sonhos perscrutam os meus um brilho de pérola perpassa a menina dos teus olhos que observa calada o rio aflito das horas Úrsula Avner
não posso calar minha voz minha veia poética meus pássaros livres e meus nós tudo em mim é poesia ou quase rima pulsante óleo fresco sobre a cabeça pensante
preciso da poesia para bradar o que eu aprendi a calar o que o inconsciente insiste em não arejar reivindico a poesia para vociferar o que não me foi permitido falar
para silenciar ou reformular o que foi dito sem pensar e dar outro contorno ao que feriu por dentro tornou o cálido amor um sentimento morno calejou a alma e os ossos mutilou sonhos meus planos nossos
preciso da poesia para não adoecer faço dela meu canto até morrer
entre um suspiro e outro emergem lembranças de uma vida na primavera dos sonhos tecida esculpida nas trilhas do tempo revolto abre-se um campo em flor no lugar de sequidão da memória esperança de edificação de uma estória onde o protagonista seja o amor
pensamentos voam como flechas pontudas buscam na sudorese do tempo lugares de alento refrigério unguento Só a quietude precipita em faces mudas
No caminho que tracei algumas flores encontrei a própria vida interpelei meu íntimo perscrutei sonhos almejei em espinhos tropecei em rios de mistério mergulhei
perambulam sonhos desmantelam-se aos poucos aqui e ali em dia de labor em noite mal dormida cansados de tanto alçar voo até encontrarem pouso na pétala adormecida desgarrada do desejo clemente de amor na vida tênue do ensejo
Úrsula Avner
* poema com registro de autoria * imagem do Google
Alguém que se descobre a cada dia. Busco refletir sobre mim mesma e o mundo que me circunda, retratando no que escrevo aquilo que sinto, observo, penso e/ou simplesmente invento. Amo a poesia e escrevo para adultos e crianças.