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sexta-feira, 19 de março de 2010

* Águas fundas em mim *


quisera falar de coisas amenas
com palavras que bóiam em águas serenas
Todavia, já saltei do trampolim
o mergulho foi inevitável
palavras nadam nas águas fundas em mim
transitam pelas avenidas da mente
não descansam , não ficam dormentes
agitam-se como folhas tremulando ao vento
cobrem o fecundo chão do pensamento
Escrever não é para mim tormento
é indizível prazer
licoroso momento
Úrsula Avner
* imagem do google

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

* Inundação*


águas penetram com virilidade

rochedos que em mim habitam

sal em tráfego pela face

corre como sonho, um disfarce


antecipo uma onda gigante

mergulho até que ela cubra a areia

outra onda imensa se forma

mergulho até enxergar uma candeia


Quanto mais ondas traspasso

tanto mais forte me torno

refaço o ritmo do compasso

a cada dia me transformo


Úrsula Avner


* imagem do google- sem informação de autoria

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

* (beira) Mar *

uma concha
revelou segredos do mar
parecia saber bem mais
do que se dispos a propalar
hesitou entre águas e areias
ora de um lado ora do outro
deixou-se levar
pelo cântico de sereias
até se enfadar
e deixar aflorar nas veias
tantos outros segredos do mar


Úrsula Avner

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

* Profusão *


pensamento de poeta
é andarilho
não cala não dorme
não descansa
eterna vigília
madrugadas, seu ancoradouro
quando lá fora é silêncio
dentro do poeta
é rio que corre para o mar
em busca de tesouros
que águas profundas
não permitem despertar
Úrsula Avner
* imagem do Google- sem informação de autoria

sábado, 23 de maio de 2009

* Horizontes em mim *

Transito em meu íntimo, como quem navega em águas
marítimas profundas. A cada linha alcançada,
avisto mais
uma... Horizontes abertos em mim.

Úrsula Avner